Famosa pela agitação cultural e pela diversidade de sua culinária, São Paulo deveria ser conhecida também por outra atração – a de reunir um dos maiores e mais respeitáveis acervos musicais do planeta.

De fato, são poucos os lugares, como a Discoteca Oneyda Alvarenga, instalada no Centro Cultural São Paulo, onde um acervo de 70 mil discos – sendo 45 mil de 78 rotações e 25 mil de 33 rotações -, 2.500 CDs e mais de 60 mil partituras, livros, periódicos, documentos e fotos está inteiramente disponível para audição e consulta.

O acervo propriamente musical é composto de música popular, folclórica e erudita, de procedência nacional e estrangeira. A coleção brasileira de discos de 78 rotações inclui a maioria desses discos gravados no Brasil.

Há raridades em praticamente todos os gêneros musicais, com destaque para as velhas marchinhas de carnaval e as obras completas de Johann Sebastian Bach.

Criada em 1935, a então Discoteca Pública Municipal de São Paulo foi um dos frutos tardios da Semana de Arte Moderna de 1922, tendo sido idealizada por Mário de Andrade no período em que ele foi diretor do Departamento de Cultura da Cidade de São Paulo (1934-37).

A ideia de Mário era fazer da discoteca uma espécie de “centro de irradiação musical” para uma população que, naquela época, apenas começava a ter acesso às gravações e à radiofonia.

Logo ela teria o seu papel ampliado. Foi pelo selo da Discoteca Municipal que, na década de 1940, muitos autores hoje consagrados tiveram oportunidade de ver suas obras gravadas.

Discípula e colaboradora de Mário de Andrade na área musical, Oneyda Alvarenga foi a primeira diretora do estabelecimento, tendo exercido forte influência no cenário cultural da cidade nas décadas seguintes.

Serviço

Discoteca Oneyda Alvarenga – Centro Cultural São Paulo – rua Vergueiro, 1.000, Paraíso. Horário: de terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados (exceto Carnaval e Páscoa), das 10h às 18h. A entrada é permitida até 30 minutos antes do fechamento. Informações: (11) 3397-4071.